Busca

Perfil

"Hi Sheldon! Hi. Hi. Hi." Bem, me chamo Matheus Carneiro, 18 anos, graduando em Psicologia. Sou da Bahia e atualmente continuo vivendo na Bahia. Acredito que cada um possui uma maneira diferente de observar os detalhes. Eu não tenho tanto interesse em grandes mercadorias e nem nos seus preços. Comecei a escrever em 2012 com meu blog pessoal Quatro Fragmentos - vocês podem encontrar meus textos lá - E hoje, resolvi começar esse blog com alguns amigos até que meu livro esteja pronto algum dia desses. Vou contar um segredo: prefiro as quantidades. Qualidades? Vou resumir e falar menos. Frio, boa música, chá e livros. Até mais! Ah não? Então vou tentar fazer as coisas menos idiotas e com mais gorduras.
Tecnologia do Blogger.

Instagram

Arquivo de postagens

5 de março de 2013





SIGA o  agora e mantenha-se mais atualizado!


Hoje decidi falar sobre o livro Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus do Fabrício Carpinejar, autor que acompanho a um bom tempo. Conheci ele através de suas crônicas no jornal Zero Hora e desde então não deixei de ler, assim que você ler as palavras dele vai perceber a sensibilidade sem tamanho que ele possui e as expressa de forma muito interessante em suas obras.

Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus foi lançado em 2012 e, neste livro, Carpinejar publicou mais de 90 crônicas que tem como tema amor e sexo, é o primeiro livro em que ele tem um tema estabelecido e o segue. Assim como todas as crônicas de autoria dele que já li, as crônicas do livro são muito boas, tem um ritmo gostoso pra leitura e ainda nos rendem boas reflexões e risadas, é claro.

Autor: Carpinejar
Editora: Bertrand Brasil
Categoria: Literatura nacional / Contos e Crônicas
Idioma : Português
Número de Paginas : 256


"Depois de títulos que sempre foram reflexos de momentos de sua vida pessoal, Carpinejar lança agora, pela primeira vez, um livro de crônicas temático. Em "Ai meu Deus, Ai meu Jesus", ele trata de situações e assuntos relacionados a amor e sexo.
Em O Amor Esquece de Começar, o autor está casado e apresenta textos de exaltação às mulheres. Em Canalha!, já solteiro, ele faz uma ode à vida da conquista. Em Mulher Perdigueira, fala do começo da relação com sua esposa ciumenta. Finalmente, em Borralheiro, mostra a transformação definitiva de um solteirão convicto em um dono de casa.
O livro é roupa de cama: Colcha, lençol e fronha de palavras. Preenchendo os vazios da cama, moldando as performances, detalhando os sentimentos, cobrindo e descobrindo o sexo. O encontro dos amantes, a rotina dos pais, a euforia do início do casamento, a negação do amor. Ao dissecar como ninguém a natureza da alma feminina, mais uma vez Carpinejar escancara a porta do quarto e trepa na nossa cara. Sem pudores, sem medo de se entregar e de ser visto. O que importa é aquele momento, seu significado, desdobramentos, motivos e inquietações."



Se bateu curiosidade, leia esta crônica que está no livro:


DUPLO SENTIDO

A sensualidade é a infância da vida adulta. Ou alguém ainda duvida de que sexo é brincadeira? Uma palavra certa, e a vontade não larga mais o pensamento. Quando a mulher sugere que é lasciva, eu não me contenho. Lasciva é uma palavra muito rápida, entra direto no sangue. Derrubo minhas defesas também diante de “assanhada” e “safada”. Um amigo não pode escutar lúbrica que abandona sua carreira.


A audição se desespera com a realidade paralela dos vocábulos. Sou da turma do sexo falado. Não me permito pecar quieto.

Saio para pescar na conversa.

É um efeito colateral da minha geração. O carro foi o primeiro quarto, o sofá foi o primeiro hotel. Não encontrava tanto conforto para transar, necessitava arretar semanas e convencer a menina de que valeria a pena, que só seria um pouquinho, que deixasse entrar. Aproveitava a saída dos pais para explorar a solidão lisa do seu corpo. Era um suspense, uma vertigem. Qualquer ruído na porta modificava o embalo da cintura. Procurava

me manter perto das almofadas. Desde a adolescência, fui preparado para o flagrante. Cresci sob a pressão da maçaneta.

Sexo não acontecia com tranquilidade, despir dependia do pôquer da dicção. Falava algo bonito para retirar o sutiã dela, falava algo perigoso para arrancar a calça, amor eterno somente com a calcinha, e ainda existiam frequentes recuos de pudor.

Muitas vezes, ela terminava mais vestida do que quando a gente começava. Nem sempre dava certo. Uma frase oportunista e indiferente puxava o freio de mão. Ela deveria entender que eu amava, que não me aproveitava de sua ingenuidade, que permaneceríamos juntos. Sexo exigia convencimento, persuasão erótica, promessas de Lagoa Azul.

Brincar com o duplo sentido continua um jogo favorito. Enrijeço na disputa de insinuações. É dizer e não dizer, é despertar o lençol na toalha de mesa, é atiçar a curiosidade dos dentes com a língua, pesar a pálpebra para espiar o vão da voz. Tenho uma elasticidade incomum para formar dimensões
alternativas. Não me contento com nada direto, tipo uma mulher confessando que vai beber todo o chantilly do café. Isso é pornografia. Viajo além. Se ela comenta que procura um mouse bretrátil, fico louco. Retrátil? Eu me ponho em movimento. Já quero ser retrátil. O Aurélio é meu Kama Sutra.

Carpinejar
Sobre o autor:

Fabrício Carpinejar nasceu em 1972, na cidade de Caxias do Sul (RS), Poeta, cronista, jornalista e professor, é autor de livros de poesia, de crônicas e infanto-juvenil. É apresentador da TV Gazeta, colunista do jornal Zero Hora e comentarista da Rádio Gaúcha. Colabora ainda com revistas Caras, Cultura, Cláudia, Contigo e VIP. O livro Canalha! venceu o 51º Prêmio Jabuti/2009. Mulher Perdigueira ganhou o Prêmio Açorianos de Literatura/2010. Eleito pela revista Época como uma das 27 personalidades mais influentes na internet, seu blog já recebeu mais de dois milhões de visitantes e superou a marca de 140 mil seguidores no Twitter.Borralheiro foi seu último livro de crônicas publicado Bertrand Brasil.

Boa leitura!


0 Comentários: